O Centro Cultural de Belém, em Lisboa, voltou a receber o IDC FutureScape Summit, que este ano teve como mote a construção do negócio sustentável alimentado por inteligência artificial do futuro
Lisboa recebeu, como é hábito, mais uma edição do FutureScape Summit, o evento anual da IDC que olha para o que o futuro da tecnologia vai trazer para os negócios. Com o mote “Creating the Sustainable AI-fueled Business of the Future”, a edição de 2025 realizou-se no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Gabriel Coimbra, Group Vice-President e Country Manager da IDC Portugal, foi o primeiro a subir ao palco para dar as boas-vindas aos presentes. Gabriel Coimbra explicou que o objetivo deste evento é olhar para as tendências que as organizações portuguesas devem ter em conta para os seus negócios, quer trabalhem apenas no mercado nacional ou trabalhem no mercado europeu como um todo. Logo a seguir, Thomas Meyer, General Manager and Group Vice President, EMEA Research da IDC, e Bruno Horta Soares, Executive Senior Advisor da IDC, juntaram-se a Gabriel Coimbra no palco para, então, abordar o tema principal do evento: a criação de um negócio sustentável alimentado por Inteligência Artificial (IA) do futuro e as tendências que vão marcar as empresas em Portugal. Thomas Meyer partilhou que, até 2030, haverá um impacto de cinco biliões de dólares na economia da EMEA, com um aumento de gastos em soluções e serviços de IA. Em 2024, os gastos com inteligência artificial ascenderam a 50 mil milhões de dólares e a IDC prevê um crescimento de 35% para 2025. “O que quer que aconteça em termos económicos, as empresas continuam a gastar mais em IT”, explica Thomas Meyer, que mostra que mesmo quando o PIB tem um crescimento menor na EMEA, os gastos com IT são habitualmente mais elevados na região. Segundo os dados da IDC, os gastos das organizações portuguesas em IT têm estado em linha com o resto do mundo nos últimos anos. “Quando falamos com os decisores das empresas em Portugal, há três conselhos que partilhamos”, referiu Bruno Horta Soares. Ter a casa em ordem, ou seja, ter o orçamento para inteligência artificial sem ter as fundações na empresa é um risco para as organizações. Depois, ter gastos previsíveis é crucial para as organizações poderem inovar. Por fim, é necessário explicar a importância de olhar para o futuro e, também, preparar esse futuro. Thomas Meyer explicou que, atualmente, os casos de estudo que envolvem IA generativa demoram, em média, 18 meses para entregar ROI às organizações. À medida que as empresas avançam nestes planos, esse tempo para atingir o ROI vai descer. Mas, para isso, é preciso um plano. Em 2023 e 2024 estivemos na parte da experimentação. 2025 e 2026 serão os anos da adoção e a mudança para a inteligência artificial. A partir de 2027, diz, é quando começa a aceleração e os negócios impulsionados por IA “A transformação digital que antes acontecia em dez anos, agora acontece em quatro ou cinco”, alertou Gabriel Coimbra, que acrescenta que ficar à espera pode ser um risco para todas as organizações. Assim, “esperar agora um ano é o mesmo que antes ficar dois ou três parado”. Na mente das organizações, procura-se mais eficiência. Bruno Horta Soares referiu que, quando se começa a falar de automação, “o primeiro ponto para o qual as organizações olham é para as tarefas que podem ser automatizadas. Ao olhar para um determinado processo, se calhar apenas uma tarefa pode ser automatizada, o que faz com que exista um bottleneck aí”. Assim, explicou, é necessário olhar para todo o processo e alterá-lo para que, de uma forma geral, seja mais eficiente. Para 2030, as “mega-tendências” previstas pela IDC incluem mundos virtuais, regulações digitais, tecnologia espacial, semicondutores e chips de IA, entre outros. “Assim, olhem para o futuro, tenham os olhos para o futuro, mas vejam o que já é possível fazer hoje”, referiu Thomas Meyer. |