IBM e Quellia apostam em IA para transformar a gestão de créditos de carbono

A IBM Portugal e a Quelia lançam plataforma “made in Portugal” para monitorização e verificação de projetos de carbono que utiliza inteligência artificial e tecnologias avançadas para garantir rastreabilidade e combater fraudes, com lançamento previsto para junho de 2025

IBM e Quellia apostam em IA para transformar a gestão de créditos de carbono

A IBM Portugal e a Quellia uniram forças para lançar uma plataforma de monitorização, reporte e verificação (DMRV), alimentada por Inteligência Artificial (IA) para transformar os mercados de carbono e responder a um mercado fragmentado, onde a falta de credibilidade e padronização compromete a transparência e a eficácia dos projetos.

A plataforma, que recorre a ferramentas avançadas, como imagens de satélite e tecnologia LiDAR, para garantir a rastreabilidade dos projetos e prevenir fraudes, nasce de um “sonho” e “compromisso” da Quellia. Filipe Vila Nova, Presidente da empresa portuguesa, sublinha que a preocupação com a sustentabilidade e o meio ambiente foi um dos principais motores da iniciativa e acrescentou que, apesar das iniciativas políticas, “na prática realmente pouco se faz sobre esse tema”.

Com o lançamento previsto para junho de 2025, a solução pretende democratizar o registo e a gestão de projetos de carbono a nível global. Ricardo Martinho, Presidente da IBM Portugal, aponta que “o mercado enfrenta desafios significativos devido à falta de padronização, ao risco de dupla contabilização e à necessidade de garantir precisão e verificação das emissões”. Sublinha ainda que “há determinadas ações que são mais greenwashing do que propriamente sustentáveis e esta plataforma vem justamente trazer credibilidade”.

“Aquilo que vimos é uma anarquia nesta área, onde, por vezes, o mesmo hectare serve várias plataformas para resolver os mesmos problemas de emissão”, alerta, referindo que a solução desenvolvida pretende assegurar “transparência e confiança na autenticidade e aquisição de créditos de carbono”. Filipe Vila Nova reforça esta visão para tornar possível para “quem compra um crédito de carbono do outro lado do mundo, possa saber que compra e visualizarque aquilo está a acontecer”.

Segundo Manuel Pereira, Sustentability Director da Quellia, o projeto diferencia-se por adotar uma abordagem abrangente: “mais do que calcular carbono, preocupámo-nos em pensar num ecossistema e não em ferramenta”. O projeto distingue-se por colocar a tecnologia ao serviço da sustentabilidade, garantindo um modelo standardizado que centraliza todas as informações num registo único e transparente, permitindo acelerar a avaliação e monitorização dos projetos, reduzir custos, melhorar a reputação das organizações e fornecer informação credível para o marketplace de créditos de carbono.

Além disso, a plataforma também se destaca por integrar “todos os players que entram neste mercado, sejam eles os donos das terras, os auditores, os certificadores, os calculadores, as empresas de seguro, os bancos que vão financiar os projetos, todos vão ter o seu lugar dentro da plataforma”. Com um sistema baseado em cloud e VM, “permite que ela se regule quase a si própria”, assegurando a partilha de informação conforme as permissões definidas. Desenvolvida na IBM Cloud, a solução também é alavancada pelo IBM Environmental Intelligence – um conjunto de ferramentas que utiliza modelos geoespaciais baseados em dados da NASA para quantificar de forma científica o carbono armazenado no solo e na vegetação.

Assim, com “tecnologia de ponta made in Portugal”, as principais funcionalidades do projeto incluem a gestão de terrenos e projetos, a contabilização de créditos de carbono e a monitorização, verificação e reporte (MVR) dos projetos. Os utilizadores finais poderão, portanto, aceder aos créditos de carbono registados, armazenados em cloud, garantindo segurança e rastreabilidade dos dados.

Manuel Pereira enfatiza ainda a capacidade da plataforma para simplificar processos de tomada de decisão: “ainda ontem tive uma reunião com um consultor no México, a trabalhar num terreno da Argentina, com um certificador em Espanha, numa empresa em Portugal. [...] Disse que a plataforma é tão importante porque três meses do seu trabalho vão reduzir-se a trinta minutos”.

Assim, a padronização surge como um dos aspetos centrais da solução, uma vez que “existem muitos modelos de previsão de crescimento da massa de carbono que está a ser captada e cada um utiliza o seu modelo. [...] Nós permitimos é usar sempre a mesma equação em qualquer lado do mundo”. A inteligência artificial, ao ser integrada à plataforma, contribui para esta uniformização, assegurando que todos os dados e métricas sigam um padrão consistente e preciso em qualquer local.

A colaboração com a AENOR reforça a conformidade da plataforma com os standards internacionais, estando alinhada com a metodologia VM0047 da Verra, o que permite a submissão automática de dados para validação de projetos de florestamento e reflorestamento.

A ambição desta tecnologia não se limita ao território nacional, já que é um projeto, segundo Ricardo Martinho, “de Portugal para o mundo”, alinhado com as preocupações ambientais e direcionado para um futuro mais sustentável. “Nasce aqui uma grande referência que, esperamos, seja internacionalizada e passe a ser também uma referência em outros países, não só na Europa, mas no mundo”, afirma.

Com este lançamento, a IBM reforça a sua aposta em soluções que aliam inovação tecnológica e sustentabilidade. “Para a IBM, é fundamental que a transformação digital caminhe lado a lado com uma transformação sustentável. O futuro constrói-se hoje”, conclui o Presidente da IBM Portugal.

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