Para os clientes de serviços online, os sistemas de recomendação, que muitos começaram por experimentar na Amazon, são hoje uma constante em serviços como Spotify ou Booking.com
O problema é trabalhar-se com uma definição muito restrita de inteligência artificial, em que conhecer um padrão de consumo é o mesmo que conhecer o cliente, as suas reações, o seu limiar de tolerância à intrusão. Um exemplo: o Facebook poderá saber muito sobre os seus utilizadores, mas o que sabe não impede que estejam a apagar a sua App de forma crescente, ou talvez a discrepância entre conhecimento e empatia seja mesmo o motivo para tal deserção. Para que os sistemas de inteligência artificial contribuam positivamente para a experiência do cliente, é necessário que o paradigma do que se considera IA inclua noções sobre o espaço individual dos utilizadores e dos limiares inultrapassáveis por sistemas inteligentes. Esse, mais do que conseguir um "upsell" a todo o custo, é que é o verdadeiro Santo Graal da experiência de cliente – e aquele que as empresas que utilizam sistemas inteligentes parecem cada vez mais longe de entender.
Henrique Carreiro, diretor da IT Insight |